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Sexualidade sem tabu
Fisioterapeuta especializada em pompoarismo ensina técnicas para fortalecer o aparelho genital feminino, explica como os exercícios podem beneficiar também os homens e o que é capaz de adicionar prazer à vida sexual
A fisioterapeuta Mônica Igarashi, 26 anos, é especialista em pompoarismo e sexualidade humana. A maranhense, casada e mãe de um menino de 5 anos, tem formação profissional em uroginecologia e fisioterapia ginecológica e de disfunções sexuais.
Desde 2002, ela ministra cursos sobre o tema. Já esteve em Belém do Pará, São Luís do Maranhão, Curitiba, Florianópolis e São Paulo. No próximo sábado, vai fazer seu primeiro workshop no Distrito Federal. A proposta do curso vai além dos exercícios vaginais: sugere um novo horizonte para a sexualidade. Uma forma altruísta de olhar para si e encarar a responsabilidade sobre o seu corpo, seus prazeres e suas relações.
Segundo ela, o principal enfoque do curso é a educação sexual. As aulas procuram dar respostas a indagações do tipo: Como meu corpo funciona?, o que me proporciona maior prazer?, o que mais me agrada em relação ao sexo?, que sensação posso proporcionar ao meu parceiro?. Para a fisioterapeuta, esses conhecimentos propiciam uma vida sexual mais prazerosa.
Qual a diferença entre sexualidade e sexo?
A sexualidade tem caráter abrangente e certamente não se limita ao coito. É uma forma de expressão dos sentimentos em relação a si e aos outros, uma descoberta sobre os seus prazeres e os do outro. Engloba identidade sexual (masculina e feminina), auto-estima, alterações físicas e psicológicas, diferenças anatômicas e fisiológicas, higiene sexual, gravidez, maternidade, paternidade, métodos anticoncepcionais, doenças sexualmente transmissíveis e transtornos sexuais. O sexo não se limita ao orgasmo. É envolvimento entre duas pessoas. O ato sexual trás consigo as carícias, os beijos, afagos, o prazer de estar desejando, de estar excitado, o de não agüentar mais a espera e o do orgasmo.
As disfunções sexuais atingem hoje no Brasil cerca de 51% das mulheres e 48% dos homens. Como a uroginecologia pode tratar esses problemas?
A uroginecologia detecta os problemas de causa orgânica e descarta aqueles de origem psicológica. A dor durante a penetração provoca disfunção sexual; flacidez vaginal e peniana, também. A fisioterapia uroginecológica atua diretamente na musculatura perineal. Adaptamos exercícios pélvicos para ganho de força e tônus muscular, além de terapia com eletroestimulação e exercícios com cones vaginais. A minha abordagem é a educação sexual, muito além da reabilitação das pessoas portadoras de disfunções sexuais. Em um amplo sentido, desde o conhecimento do seu próprio corpo (e de seus prazeres) até a descoberta das fases da resposta sexual do casal. É importante uma pessoa conhecer a sua anatomia, a sua fisiologia, tocar-se, masturbar-se, explorar-se, conversar com o parceiro antes de partir para o desconhecido. Se as pessoas se conhecessem bem e falassem sobre o que as agrada, as relações seriam mais prazerosas.
Há diferenças na abordagem das disfunções femininas e masculinas?
É bem importante essa pergunta. Entenda uma coisa: é diferente a abordagem de uma mulher para outra, como é diferente a abordagem de um homem para outro e, principalmente, de uma mulher para um homem. A terapia flui de acordo com as queixas individuais, bem como o meio em que vive o indivíduo. As dúvidas e tabus de uma mulher de 50 anos são diferentes daqueles apresentados por outra de 26. Filhos, casamento, parceiros, religião, educação familiar e nível cultural influenciam diretamente no tratamento.
Que problemas do assoalho pélvico afetam a sexualidade feminina? As mulheres têm consciência desses distúrbios?
Atribuo as disfunções à falta de conhecimento sobre a anatomia vaginal. Pasme! Muitas ainda desconhecem a uretra e acreditam que a urina sai pela vagina. Elas não têm conhecimento sobre os prazeres que essa região propicia e não reconhecem as fases da resposta sexual normal. Sem essas informações, surge a busca desesperada pelo orgasmo. Qualquer alteração anatômica ou infecção de trato urinário e/ou ginecológico afeta diretamente a sexualidade. Cito a incontinência urinária. Outro problema é a flacidez vaginal, conseqüência de sucessivos partos ou ainda da queda hormonal na menopausa.
Os manuais de sexologia indicam o ponto G como o centro do prazer feminino. A senhora fala sobre o períneo. Como essa parte da anatomia feminina pode ajudar no orgasmo?
Os manuais geralmente simplificam demais as coisas. Após a revolução sexual e o feminismo da década de 1960, saímos do buraco negro da desinformação total sobre o sexo e mergulhamos em um novo problema: a caça desesperada ao orgasmo. Hoje, as pessoas se martirizam por não alcançar o ápice sexual e as que o alcançam, se martirizam por não ser o tal orgasmo vaginal; e as que o atingem com a penetração, sofrem por não alcançar orgasmos múltiplos... Uma bola de neve...O orgasmo é uma sensação do cérebro, uma reação no sistema límbico, o centro das emoções. Isso é um fato! Por ser apenas uma da muitas zonas erógenas que o corpo oferece, o estímulo do ponto G, assim como o estímulo das mamas, pode não agradar a todos da mesma forma.
Os exercícios podem ser feitos em casa? O parceiro pode ajudar?
Os exercícios perineais (pelvic training, pompoarismo) não só podem como devem ser feitos em casa. Não existe curso mágico que garanta sucesso sexual e força vaginal em oito horas! No curso de Sexualidade e Pompoarismo, dou as coordenadas sobre o que é correto (baseada, claro, em evidências científicas), desmitifico tabus sexuais, treino movimentos prévios (indispensáveis para o exercício mais básico do pompoarismo) e uso o conhecimento dos movimentos do corpo humano para adequar posições sexuais ao pompoarismo. As mil e uma posições do livro Kama Sutra não cabem na rotina normal das pessoas, principalmente porque o prazer das relações está no tempero do corpo e mente e não no que o espelho do teto reflete. O parceiro participa ativa e passivamente, em todas as fases do novo aprendizado.
O pompoarismo também é indicado para homens? Para quais disfunções?
Os homens também podem (e devem) obedecer a um programa de exercícios perineais visando ganho de tônus e força muscular do pênis. Com o comando voluntário sobre tal musculatura é mais fácil controlar a ejaculação precoce, além de ganhar maior rigidez peniana (e dar adeus a alguns tipos de disfunção erétil).
Como são os exercícios masculinos? Homens jovens também podem se beneficiar do pompoarismo?
Os exercícios perineais masculinos devem responder à mesma intensidade dos femininos. Mas vamos esclarecer uma coisa: para obter força perineal, não basta apertar e soltar a vagina ou o pênis. Infelizmente não é tão simples assim! Os exercícios variam na intensidade, velocidade e freqüência, e aí reside a importância de uma boa orientação e um espaço para o treino de onde vão surgir os questionamentos. É comum que homens jovens sofram de ejaculação precoce. Com o aumento de força da musculatura peniana (adquirida por meio dos exercícios perineais), é possível ocluir a uretra e protelar a ejaculação. Mesmo que o orgasmo aconteça naquele momento, o homem mantém o pênis ereto por mais tempo, porque não ejaculou. Exercícios perineais não têm contra-indicação. Todos se beneficiam com a técnica.
O que uma pessoa, homem ou mulher, deve fazer para ter uma vida sexual prazerosa?
Consultar o seu médico regularmente e falar sobre qualquer queixa sexual. Geralmente, os problemas não são tratados porque não chegam aos ouvidos do médico especialista.
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